sábado, 6 de julho de 2013

O Mês Que Sacudiu o Brasil.

N.B.: Olá minha gente lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Venho pedir mil perdões pela ausência!!! E logo no mês mais quente dos últimos anos nesse Brasilsão de meu Deus.

Confesso que sou blogueira nos meus períodos de ociosidade, e ultimamente não venho tendo muito tempo livre!!! Hehehehehehe... Mas pra me redimir, minha primeira postagem será sobre a loucura que foi o último mês. Uma retrospectiva do site Terra sobre os protestos que sacudiram o Brasil.

Acho que finalmente ACORDAMOS!!! Abração e até mais!!!

Iniciados de forma esparsa em Porto Alegre, São Paulo e outras capitais brasileiras, os protestos contra os reajustes do transporte público não tardaram a extrapolar suas motivações originais e se tornar uma grande mobilização nacional. À luta por um transporte de qualidade somaram-se as mais variadas causas, como o repúdio à violência policial, a indignação frente à corrupção e até mesmo a busca por um novo sistema político. Do dia 6 de junho para cá, acompanhe neste especial do Terra, dia a dia, os principais acontecimentos do mês que sacudiu o Brasil e que promete provocar profundas mudanças no País.


6 DE JUNHO

Pouco mais de dois meses após a Justiça do Rio Grande do Sul ceder à pressão popular e suspender o reajuste da tarifa do ônibus em Porto Alegre, a revolta contra o aumento dos preços do transporte público ganhou escala nacional. Houve protestos violentos em São Paulo, Goiânia, Natal e no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, cerca de 4 mil manifestantes invadiram o Terminal Bandeira, onde, de acordo com a PM, danificaram e picharam ônibus. Em resposta, a polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo e disparou balas de borracha contra a multidão. Houve tumulto também no viaduto Doutor Plínio de Queiroz, onde um grupo depredou ônibus e arrancou as grades de proteção da pista central, colocando-as no meio da via para bloquear a passagem de veículos.
Ao todo, 15 pessoas foram presas. Segundo o Metrô de SP, o tumulto causou prejuízos de R$ 73 mil. "Em outras cidades do Brasil deu certo, agora vamos ver se acontece alguma coisa aqui também. Eu acho difícil, já que esse repasse é só para enriquecer ainda mais as empresas de ônibus. Mas nós temos que sonhar", disse um estudante de Direito que não quis se identificar, sem saber a proporção que os protestos tomariam nos dias seguintes.
Foto: Gabriela Biló/Futura Press

7 DE JUNHO

O segundo ato consecutivo em São Paulo transcorria de forma relativamente tranquila até as 19h15 de sexta-feira, quando os manifestantes tentaram ocupar a pista expressa da Marginal Pinheiros, sentido Castello Branco, uma das principais artérias viárias da cidade. A Força Tática da Polícia Militar respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e obrigou o grupo a ocupar apenas a pista local da via, liberando a expressa para o tráfego de veículos.
Apesar dos ânimos acirrados, os cerca de 5 mil manifestantes não reagiram e não houve registro de confronto. Ao menos uma pessoa ficou ferida - uma fotógrafa teve o rosto atingido por estilhaços. Logo em seguida, a PM arremessou novas bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão, desta vez na avenida Professor Frederico Herrmann Junior, próximo ao prédio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Segundo a PM, o objetivo dos disparos foi dispersar o grupo e obrigá-lo a seguir pela rua Vupabussu, que concentra menor movimento de veículos. Para minimizar os efeitos do gás lacrimogêneo, muitos jovens carregavam frascos de vinagre - quando inalado, o cheiro do produto alivia a ardência provocada pelos químicos da polícia.
Em meio aos protestos contra o reajuste do ônibus, a prefeitura deGoiânia anunciou a adoção de uma modalidade de bilhete único para o transporte coletivo da capital goiana. No novo serviço, com apenas uma passagem, o usuário poderia fazer até três embarques em duas horas e meia. Ao fazer o anúncio, o prefeito Paulo Garcia (PT) afirmou, porém, que o lançamento do novo sistema não era uma reação aos recentes protestos contra o aumento da passagem. "Os protestos que vêm acontecendo são legítimos. Eu venho de um partido que respeita os movimentos sociais, as manifestações democráticas", declarou.
Foto: Bruno Santos/Terra

8 DE JUNHO

Pelo terceiro dia consecutivo, um grupo de manifestantes foi às ruas deSão Paulo para protestar contra o aumento das passagens de ônibus. Mesmo em número menor no fim de semana, o grupo conseguiu fechar por cerca de cinco minutos a pista local da marginal Pinheiros, sentido Castello Branco, na tarde de sábado. Eles bloquearam o tráfego na região da estação Berrini da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e só deixaram o local porque foram dispersados pela Polícia Militar
Ao contrário dos dois protestos anteriores, o ato do dia 8 não foi organizado pelo Movimento Passe Livre, e sim pelos grupos Anonymous e Movimento Mudança Já. Um dos manifestantes acabou detido por desacato e foi liberado em seguida.
Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press

10 DE JUNHO

A segunda-feira foi de novos protestos no Rio de Janeiro, onde 31 pessoas foram detidas. O grupo de manifestantes interditou inicialmente a avenida Rio Branco, na altura da Cinelândia, por volta das 18h, e seguiu pela rua Araújo Porto Alegre. Posteriormente, também foram ocupadas as avenidas Presidente Antônio Carlos e Presidente Vargas. Durante o ato, alguns manifestantes apedrejaram comércios na região, o que teria forçado os comerciantes a fecharem os estabelecimentos, por medida de segurança. Segundo a PM, "foi necessária a utilização de bombas de efeitos moral para garantir o direito de ir e vir da população e para conter atos de vandalismo durante o protesto".
Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad defendeu a reação da PM para reprimir os protestos anteriores na capital paulista. "A (região da avenida) Paulista tem hospitais que atendem boa parte da população. Se estiver obstruída, haverá risco. Se amanhã alguém morre numa ambulância, vão dizer que a PM não agiu conforme o protocolo", disse o prefeito, que se dispôs a dialogar com os manifestantes apenas se eles renunciassem à violência.
No mesmo dia, decisão liminar da 1° Vara da Pública Estadual deGoiânia suspendeu o aumento do preço da tarifa dos ônibus coletivos na região metropolitana, que voltou ao patamar de R$ 2,70.
Foto: Reynaldo Vasconcelos/Futura Press

11 DE JUNHO

Em viagem oficial a Paris, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou os manifestantes que bloquearam vias da cidade, ao afirmar que é dever do Estado garantir o direito de ir e vir dos moradores. "Isso não é possível, aí é caso de polícia, e a polícia tem o dever de garantir a segurança das pessoas", afirmou.
À noite, no terceiro grande ato promovido pelo Movimento Passe Livre, o que se viu foi um aumento do rigor da Polícia Militar na repressão à manifestação. Dois manifestantes foram detidos ainda no início do protesto, que terminou com pelo menos 20 presos. Entre os detidos estava o jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, 27 anos, que foi rendido por ao menos oito policiais quando fazia a cobertura dos protestos para o Portal Aprendiz.
A situação se agravou, porém, em frente ao terminal de ônibus Parque Dom Pedro. Um grupo de jovens tentou levar a passeata ao local, entregando flores aos policiais, mas foi impedido pela PM, que disparou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha. Na avenida Paulista, o motorista de um Fiat Uno se irritou com o bloqueio dos manifestantes e avançou sobre a multidão, atropelando um homem e uma mulher. O motorista chegou a dar a ré na pista para tomar distância, e em seguida acelerou o veículo sobre os manifestantes, fugindo sem prestar socorro. A dupla atropelada não se feriu com gravidade.
Um PM que fazia a segurança do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) foi cercado por manifestantes e agredido com pedras e pedaços de pau. Socorrido por jornalistas, ele sofreu traumatismo craniano. Após mais de seis horas, o protesto deixou um saldo de 85 ônibus danificados.
Foto: Bruno Santos/Terra

12 DE JUNHO

Após classificar os manifestantes de "baderneiros" e afirmar que eles deveriam pagar pelos prejuízos causados por vandalismos no protesto da noite anterior, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi alvo de uma manifestação em Paris, onde fazia viagem oficial. Munidos de cartazes em que chamavam Alckmin de "vândalo", estudantes brasileiros esperaram o governador deixar a sede do governo francês para criticar a violência policial.
A ação policial ganhou o apoio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que classificou como "um absurdo" o vandalismo provocado pelos protestos. "É um absurdo. Não é assim que se vai conseguir qualquer reivindicação. Vivemos em uma democracia", disse Cardozo. Parte dos presos no protesto do dia 11 foi levada a centros de detenção provisória, sob protestos do Movimento Passe Livre.
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) enviou um ofício à Secretaria de Segurança Pública (SSP) exigindo a imediata libertação dorepórter Pedro Ribeiro Nogueira, 27 anos, preso na noite anterior. Indiciado pelos crimes de dano qualificado e formação de quadrilha, Pedro não teve direito a fiança.
Em reunião com representantes do MPL, do governo e da prefeitura, oMinistério Público propôs a suspensão do aumento da tarifa por pelo menos 45 dias, período em que os manifestantes e o poder público debateriam um acordo para encerrar a escalada de violência. Posteriormente, porém, o acordo não foi aceito.
Foto: Bia Barbosa/Especial para o Terra

13 DE JUNHO

Na quinta-feira, São Paulo presenciou a noite mais violenta até então, com forte repressão policial aos manifestantes e aos jornalistas que acompanhavam o protesto. A passeata, que começou pacífica - com jovens cantando, carregando cartazes e distribuindo flores para a população -, terminou com cenas de guerra em diversas ruas do centro. As primeiras bombas de gás lacrimogênio lançadas pela Polícia Militar, às 19h15, na rua da Consolação, deram início a uma sequência de atos violentos por parte dos militares, que se espalharam até por volta da meia-noite.
Foram registradas diversas agressões a membros da imprensa, incluindo o fotógrafo Fernando Borges e o repórter Vagner Magalhães, do Terra. O repórter da revista Carta Capital Piero Locatelli foi preso antes mesmo do início da manifestação, por carregar um frasco de vinagre na mochila - o termo revolta do vinagre ganhou força após o tempero se tornar o grande "vilão" dos protestos. Sete jornalistas do Grupo Folha ficaram feridos, entre eles a jornalista Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, que foi atingida no olho por uma bala de borracha disparada pela polícia. Ao fim dos confrontos, ao menos 230 pessoas foram presas pela Polícia Militar, o que motivou um posicionamento daAnistia Internacional, que expressou sua "preocupação" com a repressão policial.
No Rio de Janeiro, o prédio da Assembleia Legislativa (Alerj) foi cercado e pichado por cerca de 2 mil manifestantes. Em meio à confusão, um manifestante foi atingido na testa por uma pedra lançada por alguém do próprio grupo. O repórter Vandrey Pereira, da TV Globo, teve que deixar o protesto após ser hostilizado pela multidão. O governador Sérgio Cabralafirmou que as manifestações têm "ar político" e não são "espontâneas da população".
Porto Alegre voltou a ser palco de manifestações na mesma noite. Mesmo com a decisão liminar que garantia a tarifa reduzida, cerca de 2 mil pessoas apoiaram as mobilizações que ocorriam em diversas partes do País, relacionando-as com protestos no exterior. "Isso aqui vai virar uma Turquia", gritavam. Apesar do caráter pacífico, muros foram pichados e vidraças de bancos foram quebradas no trajeto que percorreu as principais ruas da capital gaúcha. Já no final, houve confronto com a polícia com lançamento de bombas de efeito moral, após lixeiras terem sido incendiadas.
Foto: Guilherme Kastner/Brazil Photo Press

14 DE JUNHO

Em meio a pesquisas de opinião que indicavam que a grande maioria dos paulistanos defendia os protestos contra o reajuste da tarifa do transporte, boa parte dos políticos mudou o tom e passou a condenar veementemente a violência policial da noite anterior. Dois dias após criticar o vandalismo das manifestações, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ter visto uso excessivo da força por parte da polícia paulista, que ele considerou "inaceitável". "As manifestações são legítimas", disse a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.
Na contramão dos representantes do governo federal, o governador deSão Paulo, Geraldo Alckmin, enxergou "ações coordenadas" dos manifestantes, a quem chamou de oportunistas. "Parte deste movimento procura justamente fazer manifestações em área de grande circulação, prejudicando a população, em horário de rush, que é o horário da mídia. Isso é escolhido cirurgicamente, matematicamente, o horário que dá mais impacto", criticou.
O dia seguinte à "guerra" em São Paulo fez multiplicar os relatos de abusos cometidos por policiais: um fotógrafo que foi atingido no olho por uma bala de borracha e tem chance mínima de recuperar a visão; um policial flagrado quebrando o vidro da própria viatura; além da denúncia de que a PM usou bombas vencidas.
À noite, houve novos protestos na avenida Paulista, desta vez contra a realização da Copa do Mundo. Também são registradas manifestações em SantosBelo Horizonte e Niterói.
Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

15 DE JUNHO

Em meio à realização da Copa das Confederações, cerca de 8 mil pessoas participaram de um protesto contra a realização do evento emBelo Horizonte. A manifestação pacífica também pediu a revogação do aumento da passagem de ônibus e o fim da corrupção;
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve protestos contra o Estatuto do Nascituro, aprovado na semana anterior pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O projeto de lei, apelidado de "bolsa estupro" prevê, entre outros pontos, o direito ao pagamento de pensão alimentícia, equivalente a um salário mínimo, às crianças concebidas de estupros - atualmente, a legislação permite que mulheres vítimas desse crime tenham direito a realizar um aborto caso engravidem do agressor.
Em Salvador, estudantes fizeram um protesto em que pediram a gratuidade no transporte público. Um motorista de ônibus ficou ferido, mas não houve confronto entre a polícia e os manifestantes.
Foto: Raul Golinelli/Futura Press

16 DE JUNHO

Três dias após os tumultos em São Paulo, cerca de 50 profissionais da imprensa, em sua maioria repórteres fotográficos, se reuniram na escadaria da catedral da Sé para protestar contra a violência vivida pela categoria durante os protestos pela redução das passagens. Segundo balanço do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), dois repórteres foram presos. Ainda de acordo com o sindicato, 12 jornalistas foram vítimas de violência policial, mas "o número de vítimas, certamente, deve ser bem maior".
Foto: Fernando Borges/Terra

17 DE JUNHO

Com cerca de 65 mil pessoas nas ruas, o protesto em São Paulotranscorreu de forma pacífica até a chegada de um grupo ao Palácio dos Bandeirantes. Parte dos manifestantes tentou arrombar um dos portões da sede do governo paulista e foi reprimida pela Polícia Militar, que se utilizou de bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para afastar o grupo. No início do protesto, o repórter Caco Barcellos, da TV Globo, chegou a ser alvo de chutes e empurrões e teve de deixar a concentração dos manifestantes
Se por um lado a manifestação terminou em tumulto em frente ao Palácio dos Bandeirantes, por outro, a multidão que encarou o trajeto Largo da Batata, Ponte Octávio Frias de Oliveira e avenida Paulista permaneceu pacífica e multi-temática. Uma das cenas mais emblemáticas ocorreu quando um grupo de cerca de 10 policiais militares acompanharam ativistas e se sentaram na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, sendo prontamente aplaudidos por integrantes do protesto.
Em Brasília, mais de cinco mil pessoas participaram do ato que, ao menos simbolicamente, representou o maior "feito" dos manifestantes em todo o Brasil. Após marchar pela Esplanada dos Ministérios e cercar o Congresso Nacional, a multidão conseguiu furar o bloqueio e subiu no prédio do parlamento, pela lateral do edifício. A PM respondeu com bombas, mas os manifestantes retornaram em maior número e ocuparam o local onde ficam as abóbadas invertidas. Eles gritavam frases como "aha-uhu, o Congresso é nosso". Do lado de baixo, no gramado, manifestantes cantavam o Hino Nacional, segurando os celulares acesos.
No Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa foi palco de um violento enfrentamento entre manifestantes e policiais militares. Os manifestantes fizeram fogueiras nas imediações do prédio e atearam fogo em dois carros, causando pelo menos 15 focos de incêndio. No fim da noite, um grupo de manifestantes conseguiu invadir o prédio da Alerj, quebrou janelas, ateou fogo na porta e tirou cadeiras de dentro do edifício. Mais de 100 pessoas, entre PMs e funcionários, ficaram presas dentro do prédio cercado. A Tropa de Choque da PM invadiu o prédio e fez disparos contra bombeiros que atuavam no combate ao incêndio. Em meio ao tumulto no centro do Rio, o repórter André Naddeo, doTerra, foi agredido e teve seu celular roubado.
Na noite em que o País "parou", também foram registrados protestos violentos em Porto AlegreBelo HorizonteFortalezaCuritiba,Salvador,Vitória e Bauru. Acuada, a presidente Dilma Rousseff se posicionou pela primeira vez a respeito dos protestos. "As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia. É próprio dos jovens se manifestarem", afirmou Dilma, em mensagem transmitida pela ministra da Comunicação Social, Helena Chagas.
Foto: Gustavo Gantois/Terra

18 DE JUNHO

Diante da grande repercussão internacional dos protestos da noite anterior, diversas capitais anunciaram redução das tarifas após a desoneração de impostos do transporte público. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad sinaliza pela primeira vez que pode rever o valor da passagem de ônibus na cidade.
À noite, a Polícia Militar, que havia reprimido violentamente as manifestações anteriores, agora exibia um pequeno efetivo nas ruas, o que contribuiu para que a ação de vândalos manchasse a manifestação de mais de 50 mil pessoas. Durante quase três horas, o que se viu na região central da capital foi uma sucessão de depredações, saques em lojas e quebra-quebra, com um grupo de cerca de 500 vândalos que se sentiram livres para destruir o que viam pela frente. "Onde estava a polícia? Parece que é oito ou 80. Ou desce o cacete, ou fica ausente e deixa quebrarem tudo", questionou o administrador de empresa Daniel Vilhena.
Pelo menos 56 pessoas foram presas pelos atos de vandalismo, que depredaram 80 ônibus. A repórter Rita Lisauskas, da TV Bandeirantes, foi agredida enquanto acompanhava o protesto que ocorria em frente ao prédio da prefeitura, que foi alvo de vandalismo.
Diante da escalada de violência, o governo federal anunciou o envio detropas da Força Nacional de Segurança ao Distrito Federal e aos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, que sediavam a Copa das Confederações. Na mesma noite, houve protestos emCuritibaBelo Horizonte e Florianópolis. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes se disse aberto ao diálogo com manifestantes.
Foto: Fernando Borges/Terra

19 DE JUNHO

Em anúncios praticamente simultâneos, os governos e as prefeituras deSão Paulo e do Rio de Janeiro declararam a suspensão dos reajustes do transporte público nas duas maiores metrópoles brasileiras. "Vamos ter de cortar investimentos. As empresas não têm como arcar com essa diferença. O tesouro do Estado vai apertar o cinto. Temos como prioridade o transporte coletivo", disse o governador paulista, Geraldo Alckmin. "Serão R$ 200 milhões a menos investidos em outras áreas", resignou-se o prefeito carioca, Eduardo Paes.
À noite, pelo menos cinco manifestações ocorreram simultaneamente em São Paulo, em comemoração à revogação do aumento das tarifas. Em São Bernardo do Campo, centenas de pessoas fizeram um protesto pacífico em frente ao prédio onde mora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Houve registro de protestos também em NiteróiSão Luís e naBahia.
Foto: J.P.Engelbrecht/Prefeitura do Rio de Janeiro/Divulgação

20 DE JUNHO

Após militantes do PT anunciarem uma "onda vermelha" de apoio à presidente Dilma Rousseff, grupos ligados a partidos da esquerda se tornaram os principais alvos de protestos em São Paulo. Aos gritos de "sem partido", homens usando toucas ninja para esconder o rosto atacaram militantes com socos e pontapés, com o objetivo de reprimir a exibição de bandeiras de partidos políticos na manifestação. "Militantes de extrema direita querem dar ares fascistas a esse movimento", afirmou um membro do Movimento Passe Livre.
No Rio de Janeiro, mais de 300 mil pessoas tomaram as ruas em mais uma noite violenta. A Tropa de Choque da Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão que se postava em frente à prefeitura. Pelo menos 35 pessoas foram atendidas no hospital Souza Aguiar vítimas da violência de policiais e vândalos. A cavalaria da polícia avançou para cima dos manifestantes, provocando correria nas ruas do entorno da prefeitura. Enquanto isso, um grupo enfrentava com pedras os PMs na frente do edifício. Os fotógrafos do Terra Daniel Ramalho e Mauro Pimentel ficaram feridos durante os confrontos.
Os anúncios de redução das tarifas se espalharam por outras capitaisdo País, como Curitiba e Belo Horizonte. Houve novos protestos emBrasíliaPorto AlegreFlorianópolisCuritibaCampinasPalmas,SalvadorBelémJoão PessoaManausGoiânia e Fortaleza.
Em Ribeirão Preto, foi registrada a primeira morte na onda de protestos. Marcos Delefrate, 18 anos, foi atropelado por uma caminhonete durante um ato que mobilizou 20 mil pessoas. Outras 11 pessoas foram atropeladas pelo mesmo motorista, que fugiu sem prestar socorro.
Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

21 DE JUNHO

Pela primeira vez desde o início dos protestos, a presidente Dilma Rousseff se dirigiu direto à nação, por meio da cadeia de rádio e televisão, para propor respostas às principais queixas dos manifestantes. Em mensagem de cerca de 10 minutos, a presidente anunciou um pacto com as principais autoridades políticas do Brasil pela melhoria dos serviços públicos. "O foco será: primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo. Segundo, a destinação de 100% dos recursos do petróleo para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS", disse. "Irei conversar, nos próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do País para um grande pacto em torno a melhoria dos serviços públicos", prometeu a presidente.
No mesmo dia, pesquisa Datafolha apontou que o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, é o preferido da maioria dos manifestantes de São Paulo para ocupar a Presidência da República. Na capital paulista, ao menos 4 mil manifestantes participaram de um protesto pacífico para pedir a derrubada do projeto de lei que ficou conhecido como "cura gay", que autoriza aos psicólogos a promover tratamentos com o objetivo de "curar" a homossexualidade.
No Rio de Janeiro, houve uma sequência de manifestações que se iniciaram na Barra da Tijuca, na zona oeste, terminaram com um cerco ao prédio onde mora o governador Sérgio Cabral, no Leblon, na zona sul. Em Curitiba, membros da torcida organizada Fanáticos, do Atlético Paranaense, se armaram com pedaços de pau e pedras para proteger a Arena da Baixada contra eventuais atos de vandalismo durante protesto contra o uso de dinheiro público em obras da Copa do Mundo. Houve violento confronto entre os torcedores e os manifestantes.
Também foram registrados protestos em Minas Gerais - onde a estátua de Pelé foi "amordaçada" por manifestantes -, Rio Grande do SulBahia,FortalezaVitória e Florianópolis.
Foto: Reprodução

22 DE JUNHO

Após a redução das tarifas e o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, a PEC 37 ganhou força entre as pautas dos protestos. Pelo menos 10 capitais sediaram manifestações contra a proposta de emenda à Constituição que limitava o poder de investigação do Ministério Público.
Em Belo Horizonte, a aproximação do protesto em direção ao Estádio do Mineirão, onde Japão e México disputavam uma partida válida pela Copa das Confederações, fez com que a Polícia Militar reprimisse os manifestantes. Na tentativa de furar o bloqueio policial, participantes do ato jogaram pedras, bombas caseiras e outros objetos. A polícia começou a revidar depois de 15 minutos e lançou bombas de gás lacrimogêneo. Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas, incluindo três fotógrafos e uma repórter - um manifestante chegou a cair do viaduto José Alencar, e foi socorrido em estado grave.
Em Santa Maria (RS), o luto pelas vítimas da Boate Kiss misturou-se à indignação pela impunidade e pela corrupção, em um protesto que levou 30 mil pessoas às ruas do município gaúcho. Em Brasília, 3 mil pessoas se reuniram em frente ao Congresso Nacional, onde pediram a saída do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN), e do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Foto: Ney Rubens/Especial para o Terra

23 DE JUNHO

A orla da zona sul do Rio de Janeiro teve na tarde de domingo sua primeira grande manifestação, após uma série de protestos na região central da capital fluminense. Cerca de 2 mil pessoas caminharam de Copacabana até o Leblon para protestar contra a PEC 37. O grupo caminhou até o prédio onde mora o governador Sérgio Cabral, onde manifestantes já estavam acampados desde a noite de sexta-feira.
Durante a passeata, o clima foi bastante pacífico. Não foi registrada qualquer ação violenta. Um guarda municipal foi preso por estar trabalhando armado. A orla estava bastante policiada, mas alguns quiosques foram isolados com tapumes pelos proprietários, que temiam atos de vandalismo. O trânsito não chegou a ser interrompido durante o percurso.
À noite, o programa Fantástico, da TV Globo, divulgou uma pesquisa doIbope realizada durante protestos em oito capitais brasileiras, que apontou que 46% das pessoas que estavam nas passeatas nunca tinham participado de uma manifestação de rua. Além disso, 78% dos manifestantes disseram que se organizaram pelas redes sociais.
Foto: Mauro Pimentel/Terra

24 DE JUNHO

Após reunir-se com representantes do Movimento Passe Livre, a presidente Dilma Rousseff recebeu os governadores e prefeitos do Distrito Federal e de 26 Estados e suas respectivas capitais, para debater projetos em resposta à mobilização popular. Em pronunciamento, Dilma elencou cinco pactos, incluindo a criação de um plebiscito para debater a reforma política. "Quero neste momento propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o País tanto necessita", afirmou a presidente, que também elencou propostas para as áreas de responsabilidade fiscal, educação, saúde e mobilidade urbana.
Apesar de atender a uma das reivindicações dos manifestantes que tomam conta das ruas do País há duas semanas, a proposta de convocar uma Assembleia Constituinte para discutir a reforma política dividiu representantes do Legislativo e do Judiciário e foi alvo de críticas da oposição. A proposta não foi unânime nem entre a base governista. O deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara, afirmou que só aceita uma Constituinte para a reforma política se a reforma tributária também entrar no bolo. "É muita energia gasta em algo que pode ser resolvido sem necessidade de mexer na Constituição. Basta alterar a Lei das Eleições e a Lei dos Partidos", criticou. Constitucionalistas também apontaram para a inviabilidade de uma Assembleia Constituinte restrita a uma área em específico, que poderia gerar uma crise institucional no Brasil.
Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin anunciou o cancelamento do aumento de 6,2% no preço dos pedágios das rodovias estaduais, previsto para o dia 1º de julho. De acordo com Alckmin, uma possível mudança na tarifa só será discutida na data base dos contratos, em 1º de julho de 2014. "Este ano, o aumento é zero", afirmou. No mesmo dia, uma série de manifestações bloqueou diversas estradas paulistas, incluindo a rodovia dos Imigrantes.
No Rio de Janeiro, um sargento do Bope e um morador morreu durante uma operação para buscar 40 suspeitos de fazer um arrastão durante um protesto. A ação policial deu início a violentos confrontos nos dias seguintes. Em Porto Alegre, as ações de vandalismo resultaram em 103 prisões. Em Cristalina (GO), no entorno do Distrito Federal, duas mulheres morreram atropeladas por um automóvel Gol que tentava furar o bloqueio de um protesto na BR-251.
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

25 DE JUNHO

Um dia após o anúncio dos pactos de Dilma Rousseff, deputados federais e senadores iniciaram um mutirão de votações para atender aos anseios dos manifestantes. Em pronunciamento, o presidente do Congresso, Renan Calheiros, alfinetou a presidente pela falta de consulta ao parlamento para a definição das propostas, e anunciou suas próprias sugestões para responder aos protestos. "Também queremos reduzir o número de ministérios para que os recursos economizados sejam redirecionados para saúde, educação, transporte e segurança pública", sugeriu.
Alçada à condição de "inimiga pública nº 1" dos protestos após a redução das tarifas de transporte público, a PEC 37 foi rejeitada por ampla maioria no plenário da Câmara dos Deputados - 430 votos contra, nove a favor e duas abstenções. Com o resultado, a proposta que limitava o poder de investigação do Ministério Público, apelidada de "PEC da Impunidade", acabou arquivada. Já a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o projeto de lei que cria um regime especial de incentivos para os transportes públicos, capaz de reduzir em até 15% as tarifas nas capitais brasileiras.
Uma das principais medidas anunciadas por Dilma, porém, foi abortada pouco mais de 24 horas após o anúncio. Após ouvir a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e especialistas na área de Direito Constitucional, o governo desistiu de convocar uma Assembleia Constituinte específica para discutir a reforma política, passando a defender apenas o plebiscito para consultar a população diretamente sobre temas específicos da reforma. "Não temos tempo hábil para realizarmos uma Constituinte", alegou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.
Em São Paulo, o Movimento Passe Livre apoiou uma série de manifestações na periferia da cidade, que exigiam reforma urbana, saúde e educação nos "padrões Fifa", fim da violência policial na periferia, desmilitarização da polícia, controle do valor dos aluguéis, fim das remoções arbitrárias e tarifa zero no transporte público. No mesmo dia, as principais centrais sindicais brasileiras anunciaram grandes mobilizações para o dia 11 de julho.
No Rio de Janeiro, moradores do complexo da Maré exigiram o fim da operação policial nas comunidades da região, que àquela altura já haviam causado nove mortes. Na prefeitura, Eduardo Paes abriu as planilhas de custos do transporte público e anunciou a criação dois conselhos para melhorar o sistema.
Foto: Luis Macedo/Agência Câmara

26 DE JUNHO

Dando continuidade à "agenda positiva" de votações no Congresso, o plenário do Senado aprovou o projeto 204/2011, do senador Pedro Taques (PDT-MT), que inclui a corrupção na lei que tipifica os crimes hediondos (entendidos pelo poder Legislativo como os que merecem maior reprovação por parte do Estado). A proposta, que ainda precisa ser aprovada na Câmara, aumenta as penas para os crimes de concussão, corrupção ativa e passiva. Na concussão - quando o agente exige dinheiro ou vantagens -, a pena mínima passa de dois para quatro anos de prisão. O tempo máximo continua sendo oito anos. O condenado também está sujeito ao pagamento de multa.
A pena mínima para corrupção passiva (em que o acusado recebe dinheiro ou vantagens, mas não exige tê-las) passa de dois para quatro anos. A reclusão máxima fica mantida em 12 anos, também com pagamento de multa. A sanção é a mesma para os acusados de corrupção ativa (em que o agente ofecere dinheiro ou vantagens). Os acusados de cometer crime hediondo não têm direito à concessão de anistia, graça ou indulto. A tipificação também impede a liberdade mediante fiança e torna mais rigoroso o acesso a benefícios como livramento condicional e progressão do regime de pena.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou também a proposta de emenda à Constituição (PEC) 196/2012, que institui voto aberto no caso de cassação de mandato parlamentar. A "blindagem" do voto já permitiu que políticos escapassem da cassação quando acusados de quebra de decoro. A matéria segue para aprovação pelo plenário da Câmara, onde deve passar por dois turnos de votação. Se não houver mudanças, ela segue direto para promulgação, uma vez que a PEC já passou pelo Senado. A previsão é que a proposta seja votada antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho.
Em encontro com manifestantes de Brasília, o presidente da Câmara,Henrique Alves (PMDB-RN), se comprometeu a "enterrar" o PDC 234/11, projeto conhecido como "cura gay", que permite que psicólogos tratem a homossexualidade como doença. De acordo com representantes do movimento Juntos, Alves teria assumido o compromisso também de consultar grupos feministas antes de colocar em votação o Estatuto do Nascituro.
No mesmo dia, houve protestos violentos em Belo Horizonte e Belém.
Foto: Pedro França/Futura Press

27 DE JUNHO

No plano nacional, o dia foi marcado por discussões quanto o melhor formato para a consulta popular para discutir a reforma política. Enquanto a presidente Dilma Rousseff e membros da base aliada defendiam a realização de um plebiscito, a oposição afirmava que umreferendo seria a melhor opção. A diferença básica entre os dois métodos é que no plebiscito é a população que decide uma lei em última instância, enquanto no referendo o Congresso aprova a proposta, cabendo à população apenas ratificar se concorda ou não.
No Rio de Janeiro, cinco manifestantes que estavam acampados em frente à casa de Sérgio Cabral, no Leblon, foram recebidos pelo governador no Palácio Guanabara. Um grupo, porém, permaneceu em frente ao prédio, alegando que os jovens ouvidos pelo governador não eram representantes legítimos do movimento. Na Maré, subiu para 10 o número de mortos em operação policial.
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), anunciou a criação do passe livre para estudantes que usam o transporte metropolitano intermunicipal no Estado. À noite, a manifestação que seguia em clima de festa em frente à sede do governo acabou com tumulto generalizado no centro de Porto Alegre.
Em São Paulo, a Câmara de Vereadores aprovou a criação da CPI dos Transportes, proposta pela própria base do prefeito Fernando Haddad (PT), com o objetivo de investigar as planilhas de gastos do sistema. Pela manhã, o vão livre do Masp foi ocupado por uma manifestação contrária ao Ato Médico, que limita a atuação de diversas categorias da área da saúde. Houve protestos também no Guarujá, em Goiânia,Fortaleza e Salvador.
Foto: Matheus Piccini/Futura Press

28 DE JUNHO

Um protesto realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo, terminou em conflito entre grupos de manifestantes e a Polícia Rodoviária Federal, na rodovia Dutra, e participantes do ato e a Guarda Civil Metropolitana, na prefeitura da cidade, onde vândalos tentaram invadir a sede do Executivo local. Ao menos quatro pessoas ficaram feridas e um guarda civil foi baleado no pé, em um disparo acidental de sua própria arma. O trânsito na rodovia, nos dois sentidos, foi interrompido por cerca de quatro horas. Enquanto um grupo de manifestantes ocupava a rodovia, cerca de 400 manifestantes tentaram invadir a prefeitura da cidade, por volta das 19h. A Guarda Civil Metropolitana tentou conter o grupo e utilizou balas de borracha e bombas de efeito moral. No meio do conflito, uma agência bancária foi vandalizada e teve três vidros da fachada quebrados com pedradas.
Foto: Vagner Magalhães/Terra

30 DE JUNHO

No dia em que a Seleção enfrentava a Espanha no estádio doMaracanã, na final da Copa das Confederações, outro enfrentamento de grandes proporções ocorria do lado de fora do estádio. Manifestantes chegaram ao grande bloqueio formado por agentes de segurança a cerca de 400 metros do estádio, dando início a um violento confronto com a Polícia Militar. A confusão só foi dispersada cerca de três horas depois. O conflito começou depois que pedras foram arremessadas por manifestantes contra as forças de segurança. O grupo também atacou com fogos de artifício e garrafas, e a polícia revidou com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Para reforçar o bloqueio, o policiamento avançou a Tropa de Choque e um blindado "Caveirão", de onde foram disparadas balas de borracha. Pelas janelas das ruas adjacentes, moradores aplaudiam a ação das forças de segurança. O dia também é marcado por manifestações em São PauloBrasíliaBelo Horizonte eSalvador.
Foto: AFP

4 DE JULHO

Após nova manifestação em frente ao prédio onde mora o governador doRio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), a Polícia Militar lançou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para afastar os manifestantes do local. As luzes da esquina da avenida Delfim Moreira com a rua Aristides Espíndola, onde fica o prédio, foram apagadas, e a orla do Leblon, escura, virou praça de guerra. Cerca de 250 pessoas ainda estavam no local quando a polícia agiu. Na correria, manifestantes foram detidos pelo Batalhão de Choque na areia do Leblon, na altura do posto 10. Outros três foram detidos ainda no calor da dispersão, totalizando seis detidos. Os manifestantes, encurralados pela PM, correram para a areia em busca de pedras na encosta do início da avenida Niemeyer e arrancaram algumas placas de trânsito. Muitos jornalistas também ficaram acuados. O grupo fugiu do local e seguiu para a avenida Ataulfo de Paiva, coração do Leblon, em frente à tradicional Pizzaria Guanabara. A via foi fechada ao trânsito. No caminho, caixotes de água que estavam na avenida, sendo descarregados, foram incendiados pelos manifestantes, mas os bombeiros controlaram as chamas. A PM alegou que um manifestante atirou uma pedra, o que iniciou o confronto. A reportagem do Terra, no entanto, estava ao lado dos policiais quando começou a ação e não viu nenhuma pedra sendo lançada ou alguém sendo atingido. Mais cedo, os manifestantes chegaram a lembrar que, até então, em nenhuma manifestação ocorrida na zona sul da capital houve confronto e que PMs não usaram gás de pimenta nem balas de borracha. "É muita hipocrisia, não joga bomba onde mora a burguesia", cantavam os manifestantes, que também queimaram um cartaz com a foto do governador e gritaram: "Ohh, ohhh, queima no inferno!"
Foto: Mauro Pimentel/Terra


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