sábado, 24 de novembro de 2012

Pornô Light: Especialistas Comentam a Onda de Livros Eróticos Que Caiu no Gosto Feminino.




Um novo verbete entrou no dicionário Collins da língua inglesa no mês passado. Trata-se da expressão mommy porn, cuja definição é "literatura erótica para mulheres comuns, gente como a gente". O termo foi consagrado pelo livro Cinquenta Tons de Cinza, a trilogia escrita pela inglesa E.L. James, que bateu recordes assombrosos de venda ao misturar narrativas de cenas sexo recheadas de sadomasoquismo com uma história de amor. Foram 40 milhões de cópias vendidas desde o lançamento nos Estados Unidos, em março, metade delas em formato digital. As brasileiras também ficaram alvoroçadas com a novidade. "Sabíamos que o livro seria bem aceito. Ainda que a história seja picante e o sexo esteja presente o tempo todo, trata-se de um grande romance", defende Bruno Porto, editor de aquisições da Intrínseca, que publicou a obra por aqui e planeja vender 1 milhão de cópias no país. Tamanho sucesso levou outras editoras do mundo todo a lançar os próprios romances do gênero na tentativa de aproveitar o frisson. Dezenas de títulos surgem a cada semana. No Brasil, a editora Paralela, por exemplo, investiu na trilogia Crossfire, de Silvia Day; a Jardim dos Livros apostou no picante Loucamente Sua, de Rachel Gibson; a Best Seller lançou Cinquenta Tons de Prazer, de Marisa Benett — todas autoras americanas. A lista é vasta.
Entre os analistas do fenômeno, há quem diga que o sucesso do mommy porn se deve à internet: os e-books garantem que moçoilas e senhoras leiam as histórias mais escabrosas em seus tablets sem que ninguém saiba o que estão saboreando. Graças aos e-books também, a enorme demanda pelo produto pôde ser atendida — a primeira versão foi publicada por uma pequena editora australiana, incapaz de imprimir cópias em grande escala. Também há quem atribua a força das vendas ao fato de as mulheres estarem em maioria nos grupos virtuais de leitura, onde o boca a boca corre rápido. Os estudiosos do comportamento feminino argumentam, ainda, que a demanda feminina por produtos pornôs estava represada e já dava há tempos sinais de que iria explodir. A literatura erótica seria, portanto, uma espécie de reação natural de consumidoras já emancipadas depois de uma série de mudanças comportamentais. Para entender todas as sutilezas desse fenômeno, conversamos com especialistas de diferentes áreas e países. Todos concordam que vivemos um momento histórico singular, que deve ser comemorado: nos libertamos de muitos tabus, assumimos que gostamos de sexo e estamos buscando, em massa, caminhos individuais para o prazer.
Pornô vintage
Os desenhos que ilustram esta reportagem são de Carlos Zéfiro, pseudônimo do funcionário público carioca Alcides Aguiar Caminha. Dos anos 1950 aos 1970, ele publicou quadrinhos eróticos de grande sucesso. Os livretos, vendidos em bancas, alcançaram tiragens de 30 mil exemplares. Apesar de refletir o espírito do seu tempo, recheando a maioria de suas histórias com homens viris e mulheres submissas, Zéfiro às vezes incluía personagens femininas fortes, que não se inibiam em buscar seu prazer. Mas, na época, se havia garotas entre seus leitores -— e, certamente, havia as audaciosas —, elas tinham de fazer isso às escondidas.

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